Feiras de Negócios Diminuem em Volume e Tamanho

Feiras de Negócios Diminuem em Volume e Tamanho

Criado por afa em 05/02/2018

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Estimativa de entidade ligada ao setor é de 14% menos eventos este ano.

O calendário de feiras de negócios de 2018 contará com pelo menos 30 eventos a menos. Essa é a estimativa da Ubrafe (União Brasileira dos Promotores de Feiras), que divulga anualmente o calendário de feiras B2B (Business to Business) de seus associados. Enquanto em 2017 empresas da entidade realizaram 213 grandes feiras de negócios no Brasil, em 2018, este número deverá cair para 183. No total, a entidade estima que sejam realizadas 2009 feiras em todo o País. A Região Sul é a segunda com o maior número de eventos (681), atrás apenas da Região Sudeste (834). 

Segundo Armando Mello, presidente executivo da Ubrafe, o setor de feiras é o "espelho da economia". O "encolhimento" do setor, portanto, é reflexo da retração econômica do País. "Em 2015, 2016 e metade de 2017, o PIB diminuiu, e nós também", explica. 

De acordo com estudo realizado pela Ubrafe junto à Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em São Paulo, o setor de feiras de negócios movimenta R$ 16,3 bilhões ao ano. Em outras cidades, o valor é proporcional à cadeia produtiva que é envolvida por estes eventos, explica Mello. Entre os setores impactados pela realização de feiras, estão agências de viagens, companhias aéreas, hotéis e restaurantes; e infraestrutura, logística, segurança, limpeza, montagem e decoração nos pavilhões. Só na montagem de uma feira em São Paulo, cerca de 6 mil pessoas são envolvidas. Conforme cálculos do Ministério do Turismo, um turista gasta cerca de R$ 350 ao dia. 

Mello observa que os expositores não contam mais com os orçamentos que costumavam ter antes, em 2012 a 2014. Assim, diminuem o tamanho dos estandes e a área ocupada nos pavilhões dos centros de exposição. De acordo com a Ubrafe, a área ocupada nas feiras realizadas pelos seus associados deverá cair de 2.520.000 milhões de metros quadrados em 2017 para 2.050.000 metros quadrados em 2018. "Algumas (feiras) diminuíram 30% a 35% do seu tamanho, mas não tanto o número de expositores, que diminuiu cerca de 8,5%." O número de visitantes também deverá cair 0,6%. 

CONCENTRAÇÃO 

O encolhimento do setor também ocorre com o cancelamento de eventos menores, resultando na concentração da atividade em grandes eventos e em eventos tradicionais. O setor de feiras passa então a se concentrar em mercados consolidados ao invés de desbravar novos mercados. "Quando temos expansão da economia, feiras acabam gerando 'filhotes'. Quando se enxuga o orçamento, eles voltam para as feiras principais", observa Mello. 

Isso é o que também constata Afrânio Brandão, diretor presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná), realizadora da ExpoLondrina. Para ele, está havendo hoje uma concentração de feiras do setor do agronegócio em grandes polos, como Londrina e Maringá. 

PARANÁ 

Mello destaca que o Estado do Paraná é privilegiado por ter uma economia formada pelo agronegócio, por indústrias e por ter um porto, o que impacta positivamente em todos os setores, inclusive no de feiras. "O Paraná é um Estado muito bem resolvido. O calendário de vocês é muito fechado, com eventos locais mantidos, mas pode haver um impacto na extensão do mercado, com concentração nos eventos que são mais tradicionais, antigos. As feiras principais vão acontecer, principalmente no agronegócio." 

EXPOLONDRINA 

Brandão afirma que 60% da ExpoLondrina, que deve acontecer de 5 a 15 de abril, já se vendeu sozinha. Em 2017, nesta mesma época do ano, apenas 40% da Expo já tinha sido vendida. "Antes de começar a chamar já estamos vendo demanda. Existe hoje um otimismo. No ano passado tínhamos um País com uma crise monumental dentro do governo, impeachment, inflação disparada com dois dígitos, operação Carne Fraca, o juros estavam lá em cima. As empresas acham que o País está entrando nos trilhos." 

A expectativa é que a exposição deste ano seja maior que a do ano passado. "Há expositores em todos os setores, não só de animais, mas também de máquinas e veículos. Tem mais procura que no ano passado." O diretor presidente também diz acreditar que o Parque Ney Braga deverá receber mais eventos este ano. "O parque vive disso. Temos que promover eventos para sustentar."

LONDRINA COM POTENCIAL

Segundo Arnaldo Falanca, diretor executivo do Londrina Convention e Visitors Bureau, Londrina abriga cerca de 3 mil eventos entre feiras, jornadas, simpósios, palestras, congressos, workshops e fóruns anualmente nas áreas acadêmica, de tecnologia, esportiva, cultural, religiosa, além de shows musicais e peças teatrais. Na visão dele, Londrina vem se movimentando em torno das feiras de negócios. Ele destaca as áreas de TI (Tecnologia da Informação), de Esportes e de Saúde, essa última com boa perspectiva de prospecção de eventos devido a um trabalho do Londrina Convention com o Grupo Salus (Saúde Londrina União Setorial). 

"São evidências de que a tendência é de crescimento. O que posso garantir é que o setor em Londrina vem melhorando a cada ano", comenta Falanca. Para 2018, a expectativa é que o número de feiras aumente, principalmente em função dos eventos que estão sendo captados na área de saúde. "Temos um grande mercado a explorar. Temos o Centro de Eventos, um dos melhores do Estado e o Expoara em Arapongas, um dos maiores do Sul do Brasil. O que não conseguimos é nos candidatar para grandes eventos, acima de mil pessoas, que precisam de várias salas paralelas." 

INVESTIMENTO 

O Expoara, centro de eventos localizado em Arapongas, pretende investir este ano em sua estrutura física a fim de atender à demanda de congressos e seminários corporativos com a oferta de salas moduladas. "Outra frente que estamos ampliando é a de oferta de soluções completas para a organização de feiras e eventos corporativos, beneficiando o organizador com facilidades que o ajudarão na realização do seu evento", contou Priscila Vieira, diretora comercial do Expoara. 

O Centro de Eventos projeta crescimento de 25% em 2018, para quando já estão previstas feiras como a Affemaq (Feira de Máquinas e Equipamento), em abril e com mais de 5 mil metros quadrados de exposição, a Feinacoop (Feira Nacional do Agronegócio, Bioenergia e Cooperativas), em junho, ocupando 8 mil metros quadrados do pavilhão, e a Mega Feira de Estoques, no final de maio e início de junho, com mais de 10 mil metros quadrados de área expositiva. Para 2019, também já está prevista a Movelpar, no mês de março. 

"Acreditamos que os índices que mostram a retomada do crescimento econômico no Brasil estão motivando mais investimentos na área de relacionamento com clientes. Feiras e eventos são os principais meios para se criar elos com os consumidores e com as cadeias de negócios de cada setor", comenta Vieira. (M.F.C.)

REAÇÃO E RETOMADA

Com a reação da economia em 2018, o setor percebe um movimento de renovação de contratos para feiras em 2018 e 2019, conta Armando Mello, da Ubrafe. Por isso, o número de feiras para este ano pode ainda sofrer ajustes, mas com nenhum resultado muito significativo. "Em 2018 tem uma 'tragédia' para nós, que é o futebol (Copa do Mundo). Ninguém quer fazer feira em dias de jogo", comenta Mello. Segundo ele, poderá haver cerca de 10% mais feiras que ainda estão se acomodando no calendário. A expectativa é que, ano a ano, a situação melhore e que o setor de feiras de negócios retome os níveis anteriores entre 2019 e 2020. 

A opinião é compartilhada por Monica Araújo, diretora geral da Messe Muenchen do Brasil. A análise que a empresa alemã fez quando veio ao Brasil no ano passado, era de que deveria estar no País em 2017, operar em 2018 e crescer em 2019, conta Monica. A companhia opera grandes feiras do setor de infraestrutura, como a NT Expo, e a Fenasan, do setor de saneamento. 

Em 2018, na sua opinião, não há perspectiva de grandes lançamentos, e o crescimento deverá acontecer apenas em 2019. "O que vemos é que este ano vai ser estável, o que é muito bom, porque em 2014 e 2015 houve diminuição." A diretora conta que, com orçamento menor, as empresas estão investindo na participação em apenas um ou dois eventos anuais. "Só 30% do custo do expositor é com o organizador, que é para comprar espaço, patrocínio ou merchandising. O restante é com montagem de estande, campanha de marketing, hotel, catering. Custa caro, então elas estão procurando focar mais." 

O mesmo diz Marco Basso, presidente do Grupo Informa. Na visão do presidente, os eventos regionais é que sofrerão mais os efeitos da crise político-econômica. "Em um momento de cenário recessivo, as empresas têm que reduzir a participação em eventos e, via de regra, elas procuram participar de um ou dois eventos de representatividade nacional." O Grupo, que realiza 23 feiras anuais, cancelou duas nas áreas de alimentação e de franquias na Região Nordeste. Este ano, os eventos também não devem acontecer. 

Para 2018, entretanto, ele vê um cenário de recuperação. Com o cenário político e econômico mais estável, Basso diz acreditar em uma movimentação maior e uma retomada do crescimento do setor este ano depois de três anos de crise política e econômica. A estabilização da economia como um todo, assim como do setor, no entanto, deverá acontecer somente em 2019.(M.F.C.)

 

Mie Francine Chiba
Reportagem Local

Fonte: Folha de Londrina

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