Avião tem cheiro, sabia?

Avião tem cheiro, sabia?

Criado por afa em 07/11/2017

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O marketing olfativo manipula fragrâncias que geram emoções e fidelizam o consumidor.

Os passageiros podem não perceber, mas as companhias aéreas salpicam fragrâncias nas aeronaves. Bem-vindo ao marketing olfativo, que atua em duas frentes. A primeira é criar identidade com a marca, algo que o comércio já faz há tempos.

A segunda batalha é mais sutil: criar vínculos emocionais com o consumidor. É que perfumes conseguem criar imagens e sensações no inconsciente. Podem estar associados a experiências do passado e assim resgatar memórias. Ou estabelecer novas e fortes fronteiras emotivas.

Marketing olfativo

“O olfato é o mais poderoso e emocional dos sentidos. Ao usar aromatização de ambientes, as marcas conseguem se conectar emocionalmente com os consumidores”, explica Mônica Sampaio, gerente de Desenvolvimento de Fragâncias da Perfumatech,  empresa que atua neste acirrado mercado.

A busca pela afinidade do cheiro com a marca não foi ignorada pela aviação. As cabines da United são perfumadas por partículas de um composto de casca de laranja, bergamota, cipreste, pimenta, chá preto, sândalo e couro. “A nossa meta é criar para os clientes uma experiência sensorial que combine essência exclusiva, seleção musical e iluminação suave”, explica Maddie King, porta-voz da empresa.

O cheiro da United

A United não é a única companhia aérea a borrifar interiores das naves com aromatizadores. Por exemplo, a Singapore Airlines mistura na sua poção aérea itens como rosas, lavanda e cítricos. A All Nippon Airways combina cheiros de ervas com folhas de árvores.

A glândula olfatória, que registra odor, e o sistema límbico, que governa emoções, comportamentos e memória, trabalham em dupla. Com isto, os seres humanos podem reconhecer dez mil odores diferentes, com 65% de precisão mesmo após um ano. Em média são 20 respirações por minuto, 1.200 por hora, 36 mil por dia. E o olfato está lá, inseparável, a postos para afetar 75% de nossas emoções.

Metrô de Paris

O pioneiro em agregar fragrâncias em transportes públicos foi o metrô de Paris, quando nem se falava em marketing olfativo. Em 1959 seus trens começaram a trafegar com aroma de cravos. Hoje o conceito se expandiu para outros segmentos de viagens. Além de aviões, aeroportos, trens, cruzeiros e hotéis promovem experiências sensoriais visando maior lealdade dos usuários.

Aromas promovem consumo

Há ainda clara correlação entre fragrâncias e consumo. O Hilton de Las Vegas percebeu que perfumes florais provocam um aumento de 50% no tempo dos jogadores diante dos caça-níqueis. Na mesma linha, um estudo da Universidade de Washington concluiu que essência de laranja em shopping centers gerou mais 20% de gastos dos frequentadores.

A preferência por aromas varia entre regiões e culturas. No entanto, a lavanda parece ser o mais popular entre homens e mulheres em todo o mundo. Baunilha, chocolate e cítricos são também garantia de sucesso. Toques de almíscar e talco trafegam bem no mundo infantil. Cítricos transmitem energia. Amadeirados traduzem sofisticação e solidez. Baunilha aguça o apetite. Erva doce e alecrim trazem tranquilidade.

Nova tribo

Nem tudo são flores no território das essências. Assim como ocorreu com glúten e lactose, surgiu a tribo dos intolerantes a odores. Os envolvidos em marketing olfativo alegam que suas fragrâncias atendem normas, e que as partículas perfumadas aspergidas no ar são ínfimas. Mesmo assim, diante das crescentes reclamações alérgicas, cadeias como Hyatt, Hilton, Marriot e Sheraton passaram a oferecer quartos sem cheiro. Definitivamente estamos vivendo a era da ditadura do consumidor.

Por Fabio Steinberg -  
novembro 2, 2017

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