Pós-digital favorece pequenas empresas

Pós-digital favorece pequenas empresas

Criado por afa em 05/10/2017

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Não há mais desculpas para falta de desenvolvimento de uma empresa na atual era pós-digital. Com informações, mercados e processo eletrônicos mais disponíveis, a ideia de que um grande empreendimento é mais poderoso e seguro do que um pequeno cai por terra, na visão do presidente do Grupo Abril, Walter Longo. Ele abriu na quarta-feira, 4, o Lidere 2017, evento organizado pela Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) e apoiado pelo Grupo Folha, que traz à região os principais nomes em gestão e inovação do País.
 
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Considerado um dos maiores especialistas em comunicação e interatividade do País, Longo falou sobre o impacto da revolução tecnológica no relacionamento com o consumidor. "O que mudou é que o mercado, de repente, virou o mundo. O mundo pós-digital abriu possibilidades que ninguém imaginava para empresas de todo o tamanho."
O palestrante citou o exemplo de uma pequena empresa que vende biquínis pela internet para 60 países, gerida por um casal na capital paulista, e que concorre diretamente com grandes exportadores de moda praia. "Há uma década seria impossível. Precisaria ter registro no Cacex (Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil), participar de feiras pelo mundo, ter venda em varejo naqueles países e criar grandes quantidades de estoque para fazer frente aos pedidos", disse. "Hoje se produz após o pedido, depois de solicitado. Não precisa de estoque, nem de Cacex, de nada. É a grande mudança onde as pequenas tem mais flexibilidade e facilidade de se adaptar", completou.
O executivo exemplifica que as maiores do mundo há dez anos deram lugar a outras, como Orkut e Ebay, que saíram de cena enquanto Facebook e Amazon se desenvolveram. "Quanto custa tudo isso? Nada. Tudo é grátis e não há mais dificuldade de acesso ou de uso."
Um exemplo simples de gestão inteligente de informações é acessar, via notícias na internet e perfis de redes sociais, todas as informações sobre uma empresa e sobre o cliente antes de uma reunião de negócios. Longo sugeriu que há maior facilidade em impressionar e adaptar as próprias necessidades quando se está atualizado. "As pessoas se expõem no mundo digital de tal forma que posso saber tudo sobre todas as pessoas nesse auditório. No entanto, começamos os diálogos com conhecimento base zero."
O executivo apontou três tendências que devem estar no radar de todos os líderes. O primeiro é a efemeridade, que significa que marcas, lojas e modas somem se não forem atualizadas constantemente. A segunda é a mutualidade, com a troca de informações e definição de costumes entre máquinas, na chamada internet das coisas. "Diferentemente do GPS, o Waze recebe informações de usuários, calcula a velocidade dos carros e define qual o melhor caminho", disse, ao lembrar que se trata de um mercado que deve gerar US$ 8,9 trilhões em 2020.

Por fim, citou a sincronicidade, que é cruzar bancos de dados com fatos assim que ocorrem. "O que define o comportamento de consumo não é o que a pessoa é, mas o que acontece com ela naquele momento", disse. Do nascimento de uma criança a um divórcio, os hábitos de compra mudam e são tornados públicos nas redes sociais. "O Google cresceu tanto porque é sincrônico. A área de buscas é como o algoritmo define o que aquela pessoa quer naquele momento."

ABERTURA
Organizado como parte das comemorações pelos 80 anos da Acil, a abertura do Lidere 2017 contou com a presença dos presidentes da entidade, Cláudio Tedeschi, da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Edson Campagnolo, da Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná), Marco Tadeu Barbosa, além do diretor da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Nado Ribeirete, e do governador Beto Richa (PSDB). O simpósio vai até esta quinta-feira, 5, no Espaço Villa Planalto.
 
Fábio Galiotto
Reportagem Local
Folha de Londrina

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