Mercado de eventos exige alta profissionalização

Mercado de eventos exige alta profissionalização

Criado por afa em 25/09/2017

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Ingressar na área pode parecer fácil, mas para conseguir um lugar ao sol é preciso comprometimento e muita agilidade.

Trabalhar ou empreender na área de eventos. Quem busca um caminho para a geração de renda em algum momento já pensou em entrar no segmento, tanto na função de colaborador quanto na de prestador de serviço, dada a multiplicação desse tipo de ação, que envolve desde recepções em lojas, passando por shows, congressos e feiras até formaturas e casamentos. Seja qual for a proposta, os eventos mobilizam uma cadeia variada de fornecedores, fazem o dinheiro circular pelo local onde são realizados e têm um campo vasto de possibilidades a serem exploradas por quem sabe trabalhar com alto grau de comprometimento e busca profissionalização continuada. 

De acordo com o Londrina Convention Bureau (LCB), oficialmente, é possível contabilizar um evento por dia ocorrendo na cidade, daqueles em que a legislação determina algum tipo de documentação expedida pela Prefeitura. Esse número, no entanto, é quadruplicado nas projeções do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Londrina (Sebrae). Ambos concordam que a cidade, a região e todo o Estado têm potencial para explorar profissionalmente melhor o mercado. 

"Pinçando Londrina e região, os eventos associativos são o carro-chefe, principalmente os que abrangem o agronegócio e saúde por conta de estarem vinculados a setores altamente desenvolvidos aqui, graças às fortes instituições de ensino e nossa produção agrícola de ponta", orienta a consultora e gestora de projetos de Turismo de Negócios e Eventos do Sebrae Londrina, Simone Millan. Esse lastro da região, bem aproveitado, confere a quem fornece serviços uma verdadeira vitrine do próprio negócio nos eventos locais e nos interestaduais. 

Foi o que ocorreu com a empresária e organizadora de eventos Daiana Bisognin Lopes, que em 15 anos de trabalho se tornou referência nacional para eventos do agronegócio. Na época, ela que havia se graduado em Relações Públicas, descobriu por acaso, trabalhando como funcionária de uma empresa que organizou um congresso na área, o rumo profissional que queria seguir. "Procurei uma pós-graduação em eventos, mas daquela primeira experiência já começaram a me contratar para outros eventos, até porque o boca a boca ainda é imperativo pelo grau de confiança que o contratante precisa depositar em quem vai fazer o que ele está promovendo acontecer", justifica. 

Com apoio de 10 colaboradores, Lopes está à frente da F&B Eventos, que neste ano conquistou o 1º lugar na categoria organizadores de eventos no Selo de Qualidade no Turismo do Paraná. "Optei por uma equipe fixa por conta do alto grau de comprometimento que o serviço exige e o mercado percebe, não só nas premiações, mas no aumento da procura por uma empresa daqui. Tudo começou em Londrina, mas hoje 90% do trabalho no ano são na montagem e organização de eventos fora daqui. Eu e minha equipe passamos boa parte do ano viajando pelo Brasil. Março de 2018, por exemplo, estaremos trabalhando em Belém (PA)", conta. 

Ela acredita que além de ter o mesmo time para todas as ações da empresa, outro motivo para o sucesso está na forma de encarar a atividade. "Sempre repito que o nosso cliente é o participante do evento e isso precisa ser levado com absoluto respeito e entrega para que seja sempre um momento inesquecível e que as pessoas queiram repetir. Uma das respostas que sinalizam estarmos no caminho certo é o fato de muitos clientes pedirem para organizarmos eventos particulares, que integram 10% de toda a atividade da empresa", revela. 

Segundo Lopes, o tamanho do esforço é recompensado financeiramente. "Em 15 anos, parti de dois eventos para mais de 30 por ano, com público entre 1 mil e 1,5 mil pessoas e todas as especificidades características das feiras e congressos de agronegócio. Creio que nosso faturamento é de 30% a 40% superior ao do início da empresa, mesmo com todos os reflexos da crise em nossa economia", comemora Daiana. 

"Com a crise criamos novos produtos, o que fez aumentar o volume de eventos", diz a empresária e organizadora de eventos Adriana Pontin.

Também premiada, a empresária e organizadora de eventos Adriana Pontin, que há oito anos abriu a Excelência Eventos Corporativos, confirma que a evolução financeira é possível diante de um trabalho bem feito. "O mercado mudou muito com a crise. Estamos nos reinventando e fazendo mais por menos. Só que criamos novos produtos, o que fez aumentar o volume de eventos", revela. "Há muito o que fazer nesse mercado que é lindo na foto, mas nos bastidores exige dedicação extrema e muito planejamento, mas é gratificante a cada novo desafio superado", indica. 

'Quem se acomoda é eliminado' 
Intensa profissionalização e comprometimento são palavras fundamentais no mercado de eventos. "Mesmo quem já atua e entrou por acaso precisa sim se aprimorar para perceber as oportunidades e oferecer o serviço de ponta. Quem se acomoda é eliminado, uma vez que uma má experiência com o fornecedor aniquila a relação de confiança e isso vale até para quem se dispõe a fornecer as toalhas das mesas. Elas têm que ser entregues impecavelmente limpas e passadas", exemplifica a consultora do Sebrae-Londrina, Simone Millan. 

Essa qualidade toda nos chamados eventos associativistas alavanca a economia da região como um todo, seja por proporcionar uma impressão positiva que desperte o interesse no turismo de lazer, seja por inserir Londrina e região no radar de outros grupos. "Passamos a receber muitos eventos esportivos. E nisso observamos a dimensão que o evento e a busca por fazer bem feito proporcionam para toda a economia. Um evento de crossfit, por exemplo, impactou no consumo de ovos dada as preferências alimentares dos participantes", comenta. 

O diretor executivo do Convencion Bureau de Londrina, Arnaldo Falanca, acrescenta que os fornecedores e futuros integrantes desse mercado ainda contam com algumas características interessantes na consolidação de seus negócios. "Eventos de negócios e técnico-científicos não só têm o respaldo do perfil da região, mas também são vantajosos na relação custo-benefício de fazer eventos de médio e grande porte em um local com preços competitivos e com uma rede de fornecedores que já têm a qualidade como marca. Além disso, como não temos praias ou algo que tire o foco, o propósito desses eventos é melhor aproveitado", ressalta. 

Segundo Falanca, junto ao Sebrae e ao Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), uma comissão ainda se reúne semanalmente para aprofundar as possibilidades de ganhos com eventos e turismo na região. "Disso foram desenvolvidas as rotas Sonho Lindo e do Café, que valorizam a experiência de desfrutar dos nossos atrativos, como a visitação das nossas propriedades rurais que rendem uma memória única de algo da nossa região." (M.M.)

Magaléa Mazziotti
Reportagem Local

Fonte: Folha de Londrina

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